Quero parar de tomar anticoncepcional: e agora?

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A crescente busca por alternativas e uma vida mais natural tem motivado meninas e mulheres a deixarem a pílula anticoncepcional. Muitas por que nunca se adaptaram e outras por que querem se ver livres de hormônios não naturais. Organizações feministas e grupos de mulheres se mobilizam cada vez mais em discussões e auxílio mútuo  para aprofundarem seus conhecimentos sobre ginecologia natural e encontrarem equilíbrio hormonal naturalmente. Para introduzir e esclarecer esse assunto, leia a entrevista com Diana Lhama Manacá,  que gentilmente compartilhou sua experiência de vida sem anticoncepcional.

 

Diana Lhama Manacá é ativista Política, reikiana, pesquisa Aromaterapia e Alimentação viva na promoção da saúde hormonal da mulher e doula em Formação.

Lar Natural: O que te motivou a parar de tomar a pílula anticoncepcional?

Diana Lhama – Nunca me senti bem adaptada aos hormônios sintéticos. Com 15 anos, minha mãe que é médica, poupou todo o diálogo difícil sobre sexo, prevenção de doenças e contracepção, me arrumando um medicamento injetável. Mas pra mim foi como se meu corpo desde o princípio me dissesse não querer aquilo. A injeção me deixava com uma dor muscular muito forte na região por dias, e os hormônios me deixavam exausta.

 

LN: Como foi sua busca por informações? 

Diana Lhama – Na época em que parei foi muito difícil. Hoje existe um movimento de empoderamento feminino muito mais forte e estamos muito mais interligadas em rede.  Por exemplo, estou há mais de 1 ano no grupo no Facebook chamado “adeus hormônios: contracepção não hormonal“. Lá a gente debate o tema com muitas referências e responsabilidade, se presta sororidade as mulheres que desejam parar, mas encontram esses dois desafios: da informação e do apoio. Muitas mulheres usam contracepção hormonal por anos e é preciso respeitar a individualidade de cada corpo. Não é um “radicalismo inconsequente”. É um tema sério.

 

LN: Você falou em apoio como um desafio. O que quer dizer?

Diana Lhama – A falta de apoio é uma questão cultural. É difícil achar um profissional que ouça e acolha a vontade da mulher de parar. Pelo contrário, a maioria além de desestimular a retirada do hormônio, impõe medo sobre a questão. Mas agindo sobre isso, felizmente as mulheres se organizaram em um google doc de indicações de profissionais que auxiliam na retirada de hormônio. A lista pode ser acrescentada por qualquer mulher-paciente, tem profissionais de diversas regiões do país e informações sobre respeito as mulheres lésbicas e bissexuais, e outros quesitos. Ela é facilmente encontrada na internet. Outro apoio fundamental para as mulheres que querem parar de tomar o anticoncepcional é a compreensão dos parceiros fixos. E em alguns casos da família dela e do parceiro. Para isso, nada melhor que um diálogo aberto, em que os envolvidos se disponham a compreender melhor sobre o tema.

 

LN: Quais práticas você implementou? Ou melhor: decidi parar de tomar anticoncepcional. O que devo fazer?

Diana Lhama – Como disse, isso vai variar de acordo com a vida sexual e especificidades do corpo de cada uma. A camisinha continua sendo o único método de contracepção que previne doenças sexualmente transmissíveis. Quanto a contracepção (prevenção de gravidez), existe o método sintotermal. Nele você detecta seus dias de fertilidade a partir da temperatura corporal diária, e da observação do muco. Dizem que dá trabalho. Eu acho que o trabalho de pegar um comprido e uma água no mesmo horário todo dia é o mesmo de pegar o termômetro e anotar a temperatura – também no mesmo horário, logo ao acordar. Além disso, é um resgate lindo da ginecologia natural e do conhecimento do próprio corpo. E a tecnologia ajuda bastante, pois já existem alguns aplicativos gratuitos para ajudar nesse método de identificar a fertilidade. Eu uso o OvuView. Ele é gráfico e informativo, muito bom.

 

LN: Quais são as medidas naturais para o momento da interrupção/transição?

Diana Lhama  – É comum que as mulheres que tomam anticoncepcional por um período prolongado da vida, (especialmente se elas emendam cartela e impedem a menstruação) terem dificuldade de menstruar. Isso pode levar alguns meses e ocorre porque existe um desequilíbrio da quantidade de estrogênio no corpo. Na aromaterapia o óleo essencial de Artemísia estimula o sangue a descer. Também pode ser tomado o chá direto da erva. Artemísiajasmim, sálvia, gerânio, são todos óleos reguladores do ciclo, porque equilibram o aparelho reprodutor. Eles também atenuam sintomas físicos e emocionais como os da TPM. Na alimentação viva, alimentos crus como abacate e beterraba também agem no reequilíbrio do hormônio estrógeno. Uma curiosidade interessante que descobri em uma palestra, é que além da pílula, uma causa de desequilíbrio da quantidade de hormônios estrógenos é uma substância presente nos shampoos industriais. Não sei precisar seu nome, mas ela entra na corrente sanguínea através da absorção da pele, e nosso corpo interrompe a produção hormonal. Por isso a transição para interromper a pílula não se restringe em cortá-la, mas em reeducação de hábitos alimentares e de uso de cosméticos. Nosso corpo é nosso templo! Tudo que botamos para dentre dele deve ser pensado com pesquisa e informação.

 

LN: Gostaria de deixar alguma mensagem final para as mulheres que ainda estão com medo de experimentar um contato mais natural com seu ciclo sagrado?

Diana Lhama – O corpo é seu! Vivemos em uma sociedade que nos diz o contrário o tempo todo. É importante receber apoio de pessoas próximas, mas se ele não vier, a decisão é sua! Você é a ultima voz do que entra ou não nele. Ouça seu corpo, sua lua!

Fonte: Google

Sobre o autor

Augusto Castro é massoterapeuta, reikiano, aprendiz em bio construção, músico percussionista, cursa faculdade de filosofia, autodidata das terapias alternativas e mecânica quântica. Praticante de meditação, buscador dos princípios essenciais que regem o funcionamento do universo, explorador de novos jeitos de caminhar. Clique aqui para falar com ele.

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