O que plantar em setembro

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O que plantar em setembro? O Engenheiro Agrônomo Ferreira nos traz, para esse mês, o cultivo de milho-verde, feijão-de-vagem e pepino, no modo consorciado. Vamos relembrar as vantagens desse tipo de cultivo, como tirar o melhor aproveitamento dele e garantir que o sucesso da nossa horta orgânica continue sempre. Vem comigo!

O que é consorciação de culturas?

É o aproveitamento do mesmo terreno por duas ou mais culturas diferentes na mesma época. Além do melhor aproveitamento do espaço, evita-se a erosão do solo e a disseminação de plantas espontâneas (“mato”) e, o mais importante, aumenta-se a biodiversidade, favorecendo um melhor equilíbrio da natureza e menor ataque de pragas.

O consórcio pode ser feito na linha, nas entrelinhas e em faixas.  Para sucesso dessa prática, uma das opções é empregar espécies com ciclo, estatura e desenvolvimento diferentes como as que escolhemos aqui.

Milho verde

Preferencialmente, deve-se utilizar solos leves e profundos, com bom teor de matéria orgânica e boa drenagem. Existem no mercado inúmeros híbridos de milho recomendados para produção de milho-verde. O plantio direto ou o cultivo mínimo (o preparo do solo apenas do sulco de plantio) é o mais indicado.

O plantio pode ser manual, no espaçamento de 1,5 a 2m entre as linhas e 40 a 50cm entre as plantas, colocando-se 2 a 3 sementes, na profundidade de 5cm.  Após a germinação,  deve-se controlar o “mato” na linha de plantio, através de capinas.

A irrigação, especialmente no florescimento e durante o enchimento dos grãos, é muito importante. O milho-verde deve ser colhido na fase chamada de grão leitoso e pastoso, cerca de 90 dias após a semeadura.  Quando mantidas em temperatura ambiente, as espigas conservadas com palha tem melhor proteção (3 a 5 dias).

Pepino

Existem inúmeras cultivares e híbridos de pepino com boa resistência às doenças. Por não tolerar o frio, o pepino deve ser semeado no litoral, a partir de setembro e, no máximo,  até o final de janeiro.

As variedades mais plantadas nas regiões Sudeste e Sul pertencem aos grupos Caipira, Aodai e Japonês (tipo salada), conduzidos no sistema rasteiro ou tutorado (facilita os tratos culturais e a colheita, com frutos de melhor qualidade), com tamanhos que variam de menos de 10 cm (conserva) até 30 cm de comprimento (salada).

No consórcio com outras culturas, recomendamos o sistema rasteiro, semeando-se diretamente na cova (3 a 4 sementes), à profundidade de 2cm, fazendo-se o desbaste e deixando 2 plantas por cova, quando tiverem 2 ou 3 folhas definitivas.

As covas devem ser preparadas entre as linhas do milho, no espaçamento de 40 a 50cm entre as plantas. O solo deve ser mantido úmido, através da irrigação, se necessário, sempre pela manhã.

A broca dos frutos é a principal praga, que pode ser controlada com pulverizações semanais com Dipel (inseticida biológico) a partir do início da frutificação. Para o controle do oídio (doença), um fungo que cobre as folhas de um mofo branco, recomenda-se pulverizar, semanalmente, com leite cru de vaca (10 a 15%).

No pepino para conserva e para salada, a colheita se inicia 28 dias e 60 dias após o plantio, respectivamente, prolongando-se por dois meses. Recomenda-se fazer 2 a 3 colheitas por semana no pepino para salada, enquanto que, para conserva, no máximo a cada 2 dias.

 

Feijão-de-vagem

A temperatura média ideal para o crescimento e polinização desta hortaliça é de 18 a 25ºC. Em temperaturas abaixo de 15ºC as vagens ficam em forma de gancho.

As variedades indicadas são: Tipo macarrão (vagem cilíndrica) – Estrela, Favorito, Campeão, Preferido e Predileto; Tipo manteiga (vagem chata) – Maravilha e Teresópolis. Obs.: Todas as cultivares citadas são de crescimento indeterminado e, por isso, exigem o tutoramento, que pode ser feito utilizando-se a cultura do milho semeada no início de setembro.

O cultivo do feijão-de-vagem é realizado por semeadura direta em covas (2 a 3 sementes), ao lado de cada planta de milho, no final de setembro. Após a formação da espiga do milho-verde, amarram-se (duas a duas) as plantas de milho na ponta, formando um “V” invertido e, assim, servindo como tutor do feijão-de-vagem.

A irrigação deve ser feita pela manhã, sempre que necessário, para evitar que as folhas fiquem molhadas à noite. Efetuar a capina, quando for o caso, na linha de plantio.

Para o controle do oídio, um fungo que cobre as folhas de um mofo branco, recomenda-se a pulverização semanal com leite cru de vaca (10 a 15%). A cultura do feijão-de-vagem atinge seu ponto de colheita com 70 a 80 dias após a semeadura, cerca de 15 dias após o florescimento, prolongando-se por 30 dias ou mais.

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Antônio Carlos Ferreira da Silva é engenheiro agrônomo com mais de 32 anos de vida profissional na área de pesquisa em hortaliças e dedica-se há mais de 15 no desenvolvimento das técnicas do cultivo orgânico.

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