O que plantar em Novembro?

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O Engenheiro Agrônomo Antônio Carlos Ferreira da Silva indica para esse mês o cultivo de GENGIBRE e BATATA DOCE, utilizando a técnica de consorciação de culturas.
Vamos ensinar as vantagens e como tirar o melhor aproveitamento desse tipo de cultivo, e garantir o sucesso da sua horta orgânica!

Novembro começou – e por quê não começar a sua horta também? E se você já tiver sua horta, aprenda quais são as melhores plantas para o mês – além de técnicas de plantio, como a consorciação de culturas.

CONSORCIAÇÃO DE CULTURAS é o aproveitamento do mesmo terreno por duas ou mais culturas diferentes na mesma época. Além do melhor aproveitamento do espaço, evita-se a erosão do solo e a disseminação de plantas espontâneas (como o mato) e, o mais importante: aumenta-se a biodiversidade, favorecendo um melhor equilíbrio da natureza e menor ataque de pragas.

O consórcio pode ser feito nas estruturas mista, em linha, fronteira e dupla fronteira, como na imagem a seguir:

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Para sucesso dessa prática, uma das opções é empregar espécies com ciclo, estatura e desenvolvimento diferentes, como o gengibre e a batata doce.

Foto: Pinterest
Foto: Pinterest

O GENGIBRE (Zingiber officinale) é uma planta herbácea, com raiz ramificada e carnosa, geralmente de cor amarela, comestível, com sabor picante e a parte aérea com folhas verde-escuras, que pode atingir mais de um metro de altura.

O cultivo do gengibre é favorecido no clima tropical e subtropical, quente e úmido, com temperaturas entre 25 e 30ºC. A estação das chuvas é a indicada para iniciar o plantio, especialmente nos meses de setembro a dezembro. O plantio é feito através de pedaços de raízes (5 a 10 cm de comprimento), brotados.

O solo ideal é o argilo-arenoso, fértil e com boa drenagem. O plantio deve ser feito em sulcos com profundidade de 10 a 15 cm e com 20 cm entre as plantas e 1,20 a 1,40 m entre as linhas. As raízes-sementes devem ser distribuídas ao longo dos sulcos posicionadas transversalmente dentro deles, para que as novas brotações cresçam perpendicularmente ao sulco.

Em geral, recomenda-se 1,5 kg/m2 de composto orgânico (veja como fazer seu próprio adubo orgânico, através da compostagem, aqui!) ou esterco de animais curtido, sendo aplicado de forma parcelada no plantio, antes da primeira amontoa (90 dias) e antes da terceira amontoa (150 dias). Amontoa é o chegamento de terra junto aos pés das plantas, de forma a recobrir as raízes que começam a aparecer na superfície.

Durante períodos longos de seca, o gengibre deve ser irrigado, evitando-se o excesso de umidade, pois pode apodrecer as raízes. As plantas espontâneas (como o mato) devem ser retiradas com cuidado para não danificar as raízes.

Embora seja um cultivo resistente às pragas e doenças, recomenda-se medidas preventivas tais como: rotação e consorciação de culturas, incluindo adubos verdes e escolha de raízes-sementes sadias para o plantio.

O ponto de colheita é indicado pelo amarelecimento e secamento das folhas e brotos. O gengibre é de ciclo longo, podendo ser colhido de 7 a 10 meses após o plantio. As raízes são extraídas da terra com enxada ou enxadão e lavadas cuidadosamente para evitar ferimentos, pois podem ser porta de entrada de doenças.

Foto: google

A BATATA DOCE é uma ótima espécie para ser incluída em esquemas de rotação e consorciação de culturas, pois protege rapidamente o solo no verão e possui grande capacidade de reciclar nutrientes. A batata-doce (Ipomoea batatas) é uma hortaliça tuberosa (raiz) popular, rústica, de ampla adaptação, alta tolerância à seca e de fácil cultivo.

Para cultivá-las, deve-se, preferencialmente, utilizar solos leves, soltos e drenados. O plantio é feito nas épocas de temperaturas mais elevadas – já que ela não tolera o frio, especialmente geadas.  A época de plantio vai de agosto a janeiro nas regiões mais quentes, como o litoral.

Para a produção de ramas (mudas), recomenda-se fazer um viveiro com o plantio de batatas, já brotadas, oriundas de plantas produtivas e sadias. As ramas selecionadas (8 a 10 entrenós) devem ser retiradas de viveiros a partir de 60 até 90 dias após o plantio.

A batata-doce é pouco exigente em nutrientes, por isso, quando em rotação ou consorciação, pode-se dispensar a adubação. O excesso de matéria orgânica no solo provoca crescimento exagerado da folhagem, reduzindo a produtividade e qualidade das raízes.

O plantio das ramas deve ser feito no alto da leira ou camalhão (30 a 40 cm de altura) com o solo úmido, preparado nas entrelinhas da cultura do gengibre; as ramas selecionadas são colocadas atravessadas, enterrando-se a ponta da rama (3 a 4 entrenós), na distância de 25 a 40 cm entre plantas.

As capinas devem ser feitas na fase inicial de desenvolvimento da cultura (até 45 dias após o plantio). Após a capina, refazer os camalhões, para evitar rachaduras do solo e, assim, reduzir a entrada de insetos e a formação de manchas nas raízes devido à insolação.

Pragas e doenças são controladas com práticas preventivas: rotação de culturas; plantio de ramas sadias, evitando-se aquelas próximas ao colo (base) da planta-mãe; uso de cultivares resistentes e adaptadas à região; evitar o plantio em locais encharcados; fazer bom chegamento de terra (amontoa), pois reduz danos por insetos de solo; colher na época certa para evitar os danos causados por insetos de solo e roedores e evitar lavar as batatas colhidas para armazenar.

A colheita é feita com enxada, após o corte das ramas, quando as raízes atingirem o tamanho ideal exigido pelo mercado, geralmente 4 a 5 meses após o plantio.   Nos principais mercados é comercializada lavada, prática que deve ser evitada, porque prejudica a conservação e aumenta as perdas por doenças. O ideal é escová-las para retirar a terra aderida.

Antônio Carlos Ferreira da Silva é engenheiro agrônomo com mais de 32 anos de vida profissional na área de pesquisa em hortaliças e dedica-se há mais de 15 no desenvolvimento das técnicas do cultivo orgânico.


 

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