Moda íntima orgânica: conheça a produção sustentável da Bambusa Brasil

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Depois de 10 anos no ramo da moda, Leonora Straus conquistou seu sonho de empreender de forma sustentável e criar sua própria marca. Em 2007, fundou a Bambusa Brasil, especializada em moda íntima feita com algodão 100% orgânico que, apesar dos vários desafios, tornou-se referência em lingerie vegana. Em entrevista, Leonora nos conta como conseguiu unir esses conceitos e criar um negócio que faz a diferença no mundo. Recomendamos que tire um tempinho e leia a linda história desse empreendimento abaixo!

 

Lar Natural: Como surgiu a ideia de trabalhar com algodão orgânico?

Leonora Straus: Quando criei a Bambusa queria desenvolver um projeto que reunisse atributos inovadores em sustentabilidade. Iniciamos uma série de pesquisas para criar itens que  incluíssem valores sócio-ambientais e que trouxessem benefícios à saúde. Através dessas pesquisas, chegamos ao algodão orgânico naturalmente colorido plantado na Paraíba, cujas sementes foram recuperadas e melhoradas pela EMBRAPA, já cultivadas de forma orgânica na região. O cultivo feito por pequenos agricultores oferece uma oportunidade de renovação da produção algodoeira e cria um cidadão consciente da preservação da natureza e de sua saúde.  O valor agregado de produto orgânico não permite o uso de agroquímicos no seu plantio e cultivo, diminuindo radicalmente o índice de doenças causadas pelo seu uso e os impactos ambientais causados na água subterrânea, solo e rios. Ou seja, é uma matéria prima que proporciona toda uma cadeia de produção limpa e justa. Em 2010 saíram os primeiros protótipos das peças e, em 2011, finalmente iniciamos o processo de desenvolvimento e produção das roupas íntimas de algodão orgânico. Hoje contamos com o Certificado do Algodão Orgânico, obtido através de uma certificadora nacional, o IBD (Instituto Biodinâmico).

 

LN: Qual a importância do uso de algodão orgânico na roupa íntima em particular?

LS: Ela é a primeira camada em contato com o corpo e pode protegê-lo de tecidos sintéticos e tingimentos químicos, grandes responsáveis por alergias. Por isso mesmo utilizamos nas nossas peças apenas algodão que nasce naturalmente colorido e tingimentos com extratos vegetais, como urucum, espinafre, açafrão-da-terra, acácia e jenipapo. Dessa forma evitamos que as partes mais sensíveis do corpo estejam em contato com componentes que possam causar malefícios à saúde, sejam eles agrotóxicos ou corantes sintéticos.

 

LN: Como a marca é recebida pelo público?

LS: Desde o começo a Bambusa foi muito bem recebida. O primeiro teste da receptividade ao nosso produto aconteceu na Bio Brasil Fair, em 2011. Tínhamos apenas 200 peças e um pequeno espaço no estande da cooperativa de algodão da Paraíba com a qual trabalhamos. Todo nosso estoque foi vendido no evento. Para minha surpresa, o interesse por roupa íntima orgânica era tão grande que vendi tudo praticamente para participantes da feira que queriam as peças para consumo próprio. Comprovamos ali que, mesmo num mercado supersaturado, existia demanda por peças como as nossas. Isso se tornou ainda mais claro quando fomos convidados a participar em 2014 de um treinamento para a exportação promovido pela ICV Global, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos. O objetivo de levar nossas peças para o mercado externo é antigo, mas o convite comprovou que a nossa história apresenta boas práticas e um pioneirismo no Brasil que pode promover o nome do país no exterior. Ver a satisfação de nossos clientes diretos e apostas como essa no nosso crescimento nos mostra que estamos no caminho certo.

 

LN: Quais são os maiores desafios para a Bambusa?

LS: Nossos maiores desafios ainda são as limitações impostas pela oferta de matéria prima. Nosso projeto é produzir de cinco a dez mil peças por mês. Para essas quantidades precisaríamos de seis toneladas de malha orgânica por ano, mas a produção ainda fica restrita pela quantidade de algodão que conseguimos comprar. O cultivo do algodão orgânico tem uma produtividade muito menor do que a do algodão tradicional que usa agrotóxico, justamente porque é mais difícil protegê-lo de pragas e variações climáticas. Outro obstáculo são as opções mais restritas de corantes vegetais em comparação com uma gama enorme de opções sintéticas. Tudo isso são desafios que fazem parte da vida de uma marca que quer se destacar pelos seus critérios de sustentabilidade. Estamos sempre buscando novas alternativas e parceiros que compartilhem nossos valores. Para nós, mais importante do que ser uma marca grande é nos estabelecermos como uma referência no mercado.

 

LN: Existem outras medidas sustentáveis promovidas pela Bambusa?

LS: A preocupação com a sustentabilidade permeia toda a produção da Bambusa. A otimização do corte do tecido, por exemplo, é fundamental para que se evite o desperdício do material. Por isso usamos um sistema automatizado que permite fazer o melhor encaixe possível nos moldes, o que resulta no maior aproveitamento da malha de algodão. Além disso, buscamos alternativas de uso para os retalhos que são inevitáveis na hora do corte. Em uma de nossas coleções fizemos uma parceria com entidades beneficentes de Santo André que promovem a capacitação de pessoas através de aulas de costura. Com os nossos próprios retalhos foram feitos fuxicos que depois foram incorporados a peças da nossa coleção infantil. Nossas embalagens são produzidas em PVC e já vem com orientações de como devem ser descartadas para promover sua reciclagem. Toda nossa produção, do cultivo da matéria prima até a embalagem, leva em conta as melhores práticas para promover a sustentabilidade. Unindo o que há de melhor na tecnologia e no trabalho artesanal, acreditamos que podemos produzir roupas íntimas que sejam bonitas e tragam benefícios para a saúde e para as vidas daqueles envolvidos em todo o processo, do agricultor até nossos clientes.

 

 

 

Leonora Straus é formada em Comunicação Visual pela FAAP, trabalha no mercado de moda desde 1997. Em 2007, uniu a expertise acumulada em 10 anos de prestação de serviços automatizados para a indústria de vestuário com o sonho de criar sua própria marca. Assim nasceu a Bambusa, especializada em roupas íntimas produzidas com algodão 100% orgânico.

 

 

 

Esta entrevista foi realizada em março/2016 por Gabriela Roméro, jornalista e mestre em Relações Internacionais. Mora atualmente no sul da Alemanha, onde dedica seu tempo a pensar sobre moda ética e tentar mudar o mundo uma peça por vez. Clique aqui para falar com ela e acessar sua Newsletter.

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