Depressão: uma reflexão necessária para encontrar sua cura

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A maioria de nós, mesmo crentes ou fiéis à alguma religião, tem dúvidas existenciais e inseguranças quanto ao futuro. Um vazio sufocante de não ter certeza sobre o que é o certo, o que é a vida, em que direção devemos seguir. Ou dúvidas nem tão profundas assim, mas essenciais quanto aos caminhos profissionais, definições de sucesso, carreira, dinheiro e felicidade. Tudo isso é normal e parte da nossa condição. O problema é quando esse vazio provoca um desequilíbrio químico/emocional, nos paralisa e somos diagnosticados com depressão: a doença considerada o mal do século. Leia a reflexão abaixo!

No auge da Idade Média, as pessoas viviam a partir de uma lógica teocêntrica. Deus era o centro da vida e do mundo e tudo era tido como sagrado, divino. Esse ‘jeito de pensar’ ditava a vida de um povo que vivia em torno de 30 anos. Então as pessoas passavam pela vida com profundas certezas de qual era o caminho a percorrer e do que as aguardavam após a morte.

Se na Idade Média as pessoas tinham uma receita de vida, hoje, o que temos? 

Se por um lado conquistamos a liberdade de duvidar, questionar, escolher, trocar, num momento histórico em que tudo se transforma em voraz velocidade, por outro lado, essa mesma liberdade nos faz cada vez mais confusos durante o percurso de uma vida.

Antes, garantir a sobrevivência era símbolo de uma vida plena. Hoje, o trabalho precisa ser bom, o salário idem, queremos tempo para arte, para o estudo, para viajar, para pensar em como se tornar vegetariano ou vegano, entre tantas outras possibilidades de estilos de vida e escolhas profissionais. E, principalmente, a partir de padrões fictícios, aprendemos a comparar e medir nossas vidas olhando para a vida de outros (via Facebook, por exemplo).

Nesse sentido, a vida hoje tomou uma complexidade inimaginável em comparação a dos nossos ancestrais e me parece natural que diante disso, nós nos angustiamos, nos entristeçamos, fiquemos ansiosos, diante de uma ritmo de vida que não espera a gente pensar muito.  

Pois bem, tudo isso para dizer que se entristecer, se angustiar, ficar ansioso(a) é bastante comum. E diria que, até certo ponto, é saudável. Um sinal que ainda resta humanidade em nós. A filósofa Viviane Mosé diz que “é essa tensão tipicamente humana, que nos alarga a alma, que nos torna maiores do que somos.”

As tristezas e angústias podem desembocar numa depressão. Um processo de corrosão emocional e físico, que altera quimicamente o corpo, produzindo alguns hormônios em excesso e não produzindo outros fundamentais para o equilíbrio orgânico, dentre outras minúcias – que devem ser avaliadas individualmente por um especialista.

A depressão e a ansiedade me parecem também resultados desse estilo de vida feito para máquinas, num momento de muita informação e supostas possibilidades, onde tudo é e deixa de ser muito rápido, em que escolher qualquer caminho é quase um tiro no escuro, uma ação de fé.

Diante disso, os sintomas e a própria doença é também um convite ao autoconhecimento, ao desenvolvimento de um pensar mais elaborado, à conscientização de uma vida em conjunto, em rede, mais humana e menos mecânica.

Para inspirar essa reflexão, deixo o trecho abaixo de autoria de Clóvis de Barros Filho:

“De qualquer forma, você continuará assim. Vivendo como dá. E enquanto der. Procurando esticar o encontro que alegra e abreviar o que entristece. E a vida que vale a pena? Só pode ser uma. A sua. Esta mesma que você está vivendo desde que nasceu. Mas com tudo. Seus encontros, certamente. Mas também seus sonhos, suas ilusões, seus medos e esperanças e, por que não, suas filosofias também.” 

Sobre o autor

Augusto Castro é massoterapeuta, reikiano, aprendiz em bio construção, músico percussionista, cursa faculdade de filosofia, autodidata das terapias alternativas e mecânica quântica. Praticante de meditação, buscador dos princípios essenciais que regem o funcionamento do universo, explorador de novos jeitos de caminhar.

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